terça-feira, 15 de novembro de 2011

Música de bolso

Vontade Entardecida
Reentrâncias aprisionadas.
De um canto que sufoca
e de uma busca enlouquecida.
AQUÊLE GRANDE nos vê.
E ri alto de cada Palavra e Gesto da nossa insensatez.
Estilhaço todo,
quebrantável aparência.
Dorme menino,
dorme,
dorme...
Na rua do cais
escudo viseira couraça.
Ilusão tentadora,
livro-chave que te acanha
por peles e sentimentos.
Busca a palavra aterradora
EU-OUTRO.
Era como se quisesse sair de tua casa
e derramar-se cíclico,
Escorrer sob um jugo novo.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Apalpo

Eram desenhos e ritos na tua cara.
Pedra e cascos de trinta anos.
Um caminhar desengonçado
como se fosse fazer desordem nos canteiros.

Eu te apalpo em linhas e pele
E te sorvo/ilusões e plástico.

Des - ordem

Oblíquo decalque,
descomedida desordem.

E disforme eram nossos corpos em prontidão.

Desobriga-me
do desejo e do sabor.
Eterno raio impossível

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Corpo - Pedra

Aprisionado num corpo de pedra
perco a vontade primeira.
Orgão deformado
sonhador de instantes.

A vida se me cria traços carregados
de medo e desordem.
num pulo acetinado com papéis
picados e festas nunca acontecidas.

Sonhava como quem sonha uma criança,
desesperado de dor e desamparo.
Quereria um charco de terra suja
para cobrir as feridas e úlceras
e entranhas corroídas.

Só me valho pelo respirar
quando calo é porque ombros
largos buscam veias na escuridão.

Aprisionado num corpo de pedra
perco a vontade primeira.
Orgão deformado
sonhador de instantes.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Canto XIII B

Ferido em minhas mãos e em meus pés
andarilho sôfrego, terras que me ofendem.
Fisionomia incerta e gesto oco.

Dependurado torto, insistente
assisto costas secas e segredos de uma ilha.
Era uma zona fantasma em um rosto cuspido.

Em um só tempo: carne e desalento
o desejo como um braço podre.
A inércia devora raízes e ossos.

Canto XIII A

Ah ver manhã de sol
e desejar ter (eu) corpo.
Novo ou velho
como um livro aberto em novidades.

Buscar afoito o encontro
sem saber do seu o dia.
Querer ser pedra árvore paletó.

Teu sorriso-menino
criança entardecida de desertos
ombros desabados em terra seca e escura.

Avenida sonolenta
assisto crescer em teu asfalto
vestígios de um sonho
esquecimento e insônias cobertos de pó.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Canto XXI

É o azul, a cor do seu retrato.
Ele se esconde em vias de sonho.

Vestígio de Homem num corpo perseguido.

Cativo da tarde
vento terno e frio.

E carne perecível.

Desejo teu excesso.
Amputado de carícias.
pele, dentes, fissuras.

E o teu de dentro
queimando-me a garganta.

Canto XXX

Uns olhos-brandura alongado.
Um quadrado de vidro-temperança
e aço -condimento
no terceiro andar.
Uns jardins, busca-falo, de verde-bandeira
e chapéu panamá.

Desejo-te dolorosamente agora.
Descaminho de sombras e sagrados.
Ai, a distância...
sigilosa e imoral,
coagulada e viscosa nas mãos.

Desejo-te desde tempos antigos.
desde criança, quando sugava os polpudos da amora.

E adivinhas:
passo, espera, peixes.

Canto e toque.

Desejo-te.

Sou teu.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Canto XII

O vestígio de todas as solidões
se faz pergunta em meu rosto.
Gasto e tomado de existência
procuro funduras no gosto do fruto.

Haverá tempo?

Herdeiro de mim mesmo
meu escuro nome
sombria ilha
e súplicas de carne amolecida.

Entardeço
versoinstante dentro de mim.

Canto XIII

Pensava ser outra

manchada e desmanchada

obra consentida.

Canto XXV

Desejoso da proporção
Apalpado de obsceno
Carregado de susto.

Chamei-te Noite.

Beijado pela fantasia
do ontem, olho da razão
memórias do invento.

Chamei-te Noite.

Tinha os braços pesados do espanto
as costas duras de culpa
e a fronte afundada em veneno

Chamei-te Noite.

Às escondidas terroso e barriga vazia
corpos doentes estufados de química
Pestilenta e cansante mágoa.

Chamei-te noite.

Que te encerras este possuir?
E esta boca seca que faz das letras um caminho?
É um grande riso - pensamento homem de carne
distante e farto e róseo.
Parece o de sempre encantado.

Chamei-te Noite.

Uns polpudos.

A voz num tom de prece
e ares de fundura laqueada
há muito tempo disfarçando o alagado de nojo.
Lentas passadas na santa avenida,
engole o fornicar da história.
Molengo, escavado, relutante.
Vitaminas pela manhã.
Um Isso espasmódico e violento.

É um corpo-quadro

Que coisa te movia?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

IV

Agora
sei de um segredo.
Eu toquei no proibido
Calmo, olhava para ele.

Imobilizado - loucura ou realidade?
Artesanato da vida é o agora em mim.

Adivinha-me adivinha-me.

Os braços cruzados
o cigarro queimando as pontas dos dedos
a grandiosa indiferença quieta e alerta.

Desencavei o futuro
triste gota escorregadia em teus flancos.
Mesquinhez e medo de amor.

III

Queria ser santa
e pedra e escada.
A luz no baixo ventre e uma faca.

II

Aquieta-te,
deixa-me limpar do teu peito o molhado colado e nodoso
apenas carícias e pesos
um luxo de escuridão e virilhas.

Eu queria também, sim,
isso mesmo,
tocar teu medo, tua vaidade,
existir em tuas letras.
O quê? O quê, meu Deus?
Está ouvindo?

A tua esfarrapada alma
teto e nojo.

Olha lá no fundo, vai
e lambe o dedo.
É apenas sexo saudável - sangue cheiro e vida
e morte - tudo muito natural.
Que bobagem óóóóóóóóóóóóóhhh
não perdoo recusa e incompreensão,
o nada grudado à alma.
Ser imundo, a faca e a pedra

É horrível não?
Misterium iniquitatis.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

I

Para eles sou apenas um T.
Púrpura sobre o passo
escarlate na doce curva.
Albergue do escândalo.

Em outro tempo
um ausente
um nadaninguém

Não se pode esquecer
ter sido e perder-se
e gratidão de mim inteiro
e lúcido e obsceno.
Um grande fogo saindo do meu corpo
segurando a tua vida.

Para que eu não enlouqueça
o agora vazio meu espaço
aperta-me como a um filho.
olha-me como um amuleto perdido.

E assim, mais claro
casa de sol
sábio, carne e vísceras
no início do esquecimento
duplicado teo
amoroso perfil que se parecia contigo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

De profundis


As coisas de dentro são complicadísssimas.
Hein?
Respiro fundo...
Invente outras possibilidades, oras;
torra, de tudo, de nada, ser o chip, a celulose, a centelha, a tinta, a mão, a colcheia, ser polpudo e amarelo, átomo e canto.
Os amantes,
Nos longos corredores.
Panorâmico estado latente, vir-a-ser, transcendência.
Dorme o leão no seu corpo de pedra em cadência livre tal qual estes versos desprovidos da linguística escolástica só para deliciar-te de meus feitos e momentos, só para eu olhar teu jeito menino-moleque.
Amão, a mão, a, mão, ele reteve
sim reteve a respiração,
por um momento a vontade de chorar principiava a nascer mole dentro do peito.
sensível ao mensageiro musical, sonho, comunicação, comida...
senti-me honrado, acariciado, inteiro existente.
As manchas? corri faceiro para o expressionismo.
Agora eu ponho em você minha mão para que você seja o meu poema, exercício e sextilha, quanta maravilha, quanto rondó - compasso e harmonia.
Ah! mães do glossário e da gramática eu não sou um escritor, só rabisco, reverso de mim mesmo.
Emoção e talento - eu me aventuro sempre, entro em todos os palcos, penetro na intimidade do próprio caso.
Eu quero ser a legião dos grandes mitos e transformar tuas experiências num exército de aflitos, desnorteados pela eloquência do meu rugido, ascenção do Iscariotes e no sábado um Jesus crucificado em cada poste.
Eu te amo de um jeito que ninguém sabe ao menos o trejeito.Em nossos corpos isto foi marcado com fogo pelo punho do Deus - Marte.
Então hera...
come de mim, me comendo sabes.
Não medita. Suga. Vai até a seiva.
Até a sutileza.

Cromatismos

Do- Fogo e terra elementos das sensações
Do#-Mãos, pés, nariz e boca.
Ré- Vivaz entre dez mil branco e rosado é meu amado
Ré#-Os lábios são a toca da mais venenosa serpente
Mi- Seu braço incrustado de intenções abafadas.
Fá- Teu corpo vibrando aos meus toques tal qual a lira do salmista grunhidos
Fá#-Minha presença sudorífica Aguá e mel
Sol- Batalhão de Tebas Pátroclo e Aquiles Leão de Neméia
Sol#-E me deito ao comprido da realidade objeto tangível, fecho os olhos
Lá- Adoro quando sou explorado pelos seus sentidos mesmo quando eles parecem não ter sentido
Lá#-Psicotrópico
Sí- Assim é o meu amigo Assim é o meu amado
Grava-me
Como um selo em teu coração.

Abaluaê.

Abaluaê é um famoso orixá que cuida das doenças.Ele é todo coberto de chagas.
Chagas adquiridas pelas desventuras cometidas pela humanidade.
Para escondê-las usa uma vestimenta feita de palha que o cobre da cabeça aos pés.
Dilacerado e desesperado.Quem imagina esconder-se no local do crime? Isto é para poucos.
Crucificar-te naquele santo solo. Um Judas pregado na cruz e um Jesus pendurado em cada poste.
(.) Você...curioso produto da infelicidade.Caricatura de homem.
Crês que me atingiu, que me provocou ao fazer tamanha infantilidade e mesquinharia, mas na realidade quem se humilhou foi você; vilipendiado em função de uma caricatura, de um borrão, de um arremedo.


O que acontece conosco é a violenta e cósmica força da natureza e cada um a seu modo está fazendo de tudo para fugir disto.
Cerquei.
Através do tédio comestível que me foi oferecido nos tecidos listrados, cerquei.
As dores lutam por um espaço compreendido.
Movimentação de um Isto sem fim.
Atrevi. Nas ruas, nas calçadas.
Na copa das árvores o sol bate sem impedimentos.
Em mim furtivo se faz, rancoroso de minha dolência.
Para que tantas fraudes? Para que autoboicote? Eu não entendo alguém que tem a faca e o queijo nas mãos e mesmo assim prefere passar fome.
Você é arcaico, retrógrado e inferior porque submete-se a uma falsa liberdade. Seus ideais necrosantes são um verdadeiro pesadelo de insinceridade espantosa;óleo feito com os ossos das carcaças de uma ética mentirosa e doente.
As lacunas que esclarecem:
Cumplicidade é um relâmpago atordoante, é um olhar agudo e perplexo com que se examina a vida. Ah, a vida é uma aventura inconseqüente...cavucada de sentimentos secretos e neutros em cada palavra.
Não sou hermético, você que é conservador.
“Eu nunca te vi em toda a minha vida” é o retrato de um côncavo, de uma falta, de uma ausência, de um estômago vazio.
Traição se não tivesse sido, eu não saberia, e tendo sido, eu soube – apenas isso. Desculpa esfarrapada da mudez: quem , como você nomeia o medo, de amor? E querer, de amor? E precisar, de amor? E resistir, de amor? Pesadelo, de amor?
O vazio é um meio de transporte.
Posso parecer manso mas minha função de viver é feroz, pois nem meu corpo me delimita.
Você pobre cretino mecânico e alienado. Já não é preciso esperar por nada.A esperança é horrenda.Mas acredito numa mínima margem, ainda que nem mensurável, de liberdade.Com certeza há algo que escapa à lógica matemática.Liberdade não é fazer o que se quer.Isso é burrice.Liberdade é expectativa, é o público, um vazio a preencher, uma aspiração, no sentido figurado e próprio.
Assunto proibido: passa a viver e não apenas prometer-se a vida.Não tens a coragem de deixar de ser apenas uma promessa?
Eu te dei o susto do meu amor.Amar é experimentar o perigo de um pecado maior.
Dos arquétipos:
O fogo consome o mato seco (o medo intróito) mas não devasta a terra, sua diretrizes não são abaladas, você não é invadido, apenas preparado para o plantio; a terra é fértil em especial nas mudanças que o fogo lhe propõe.
A terra é firme e está no controle, as erosões não são perdas, as fendas cavadas com ávidos e duros dedos encontraram um fio bebível de vida.A terra é a solenidade de si própria e no cio gerador não tem medo de consumir-se ao servir o ritual consumidor. O ritual não é exterior a ela: o ritual é inerente.
Espero por ti, espero: sei que depois saberei como encaixar tudo isso na praticidade diária, não esqueças que também eu preciso da vida diária.
Eu te espero em qualquer esquina de poesia concreta.
Qualquer dia perto da montanha de pedra, de concreto, de vidro, de fumaça, no interior do leão.
A morte e a donzela.
Pode apostar caríssimo,

O violoncelista

Em cada canto um encanto.
Dez passos de claridade, dez passos de escuridão.

Um era doce, bondoso e vicioso.
Suas testemunhas eram feias, sujas e desfiguradas. Ele dançava ante os gnomos que sua imaginação forjava para livrar-lhe da realidade-fantasia que o cercava.
Era marcado pela degradação, era decaído, e dentro dele - sentinela - o conhecimento da impostura pouco servia.Sua existência provinha do gosto das cinzas, da lassidão, da tristeza do esforço-humano, da audácia e da prudência.
Frutos conflituosos de uma árvore esgueirando-se pela escuridão, fiel madeiro, árvore sem igual. Que selva outro lenho produz?
As carpas...foram seu alvo;
As carpas nadando...ele olhava para o lago com olhos cegos.
Miramiramiraeacerta
miramiramiraeerra.
assim é sua vida,arqueiro. num piscar de olhos a verdade é teu talento,apenas feche os olhos e sinta e teu dedo é o que resta.
Ele está sempre à procura.
Numa atitude desesperada de preservação nos atira à raiz da existência.
A Via-Láctea é o jardim da sua história. O homem espera pela sua força.

O outro É .
Poucos sabem de onde ele vem.
Consubstancial.
Não existem fronteiras. Existe uma conquista corajosa e bem sucedida.
Reações prontas e nítidas, beco sem saída, beijos e respiração.
Ele traz o livro de Jó e abraça o silêncio.
Enfrenta agruras e sabe que a resposta impõe-se a ele desde que nascera.
Por isso viaja.
Aos poucos quer galgar as alturas, elevar-se entre as planícies e mostrar a todos sua sede insaciável e descontínua.
A pedra é seu alicerce, e o Rei da selva seu companheiro.
Ao fechar a luz do dia se apaziguava no que tinha que ser.

Mas para o destino não existem coincidências.
Eles se encontraram e descobriram que estavam fazendo a coisa certa.
Carregavam algo divino.
Algo tão grande que as dobradiças do mundo pareciam ranger quando eles passavam.
Na escuridão e na luz.
Caminharam por planícies cobertas de ossos monstruosos, ásperos, destroçados e inumanos.
Suas mãos firmes e certas continham o futuro que envolve o presente.
Todos os caminhos lhes pertencem, mesmo naquilo que não era real mas sem o que o real não teria significado.
O mundo está aos seus pés.

Neles a tríade santuário, castelo e lar faz-se plena.
No lar teus olhos são gotas da noite onde estrelas piscam e queimam.
Par quê questionar um poema ou uma folha caindo no castelo?
Eu me importo com você em nosso santuário.

Tudo será diminuído pois não será como este lugar.

E tudo o que fizeram um pelo outro vale mais que fios de seda crua.

Vaidade é um brinquedo que já não interessa.

Ao fundo, um violoncelo desenha três lamuriantes notas descendentes.

Pelas mãos do artista fazer o mundo estremeçer,
fiel madeiro,árvore sem igual...
vai, reverbera, ressoa,
acredita;
harmônicos plenos da grandeza do cosmos,
caos e cosmos.

A natureza é a mesma.

O músico e seu instrumento.

São início,

único,

um.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Materializar.

Materializar.
O cru existe.
Ter é tardar dentro do espaço, a lama pestilenta que encobre o ser.
Impressão atuante em cena aberta, face a vontade própria, aos lampejos do ver.
Ah! se soubesses, a vida lhe seria certeira e imprópria assim como a chama necessita da madeira para existir e a madeira necessita do fogo para brilhar, erosão da neutralidade e surdez generalizada.
O mundo profundamente natural e terreno, fecundo e vertiginoso te oferece uma nova e incompreensível aventura.Você, o inliberto,vítima de sí mesmo,de suas teias construídas contra o vento,de suas lutas inglórias subordinadas a existência do aquém; o leviano, o ignorante.
Pretencioso é o insustentável, o carcomido por suas próprias entranhas.
Doença passageira nutrida do orgulho vil e mentiroso porque a morte está logo ali.
Difícil?
todos nós sofremos pela neurose do que não se explica, sinta-se ofendido pela humanidade.
O quê te dói? A escolha do nada?O medo te é inerente.
Quem é você? O que é isto? Por que? Pergunta, resposta, dúvida, afirmação, réplica, tréplica, comunhão, oposição.
Tens medo de que te tirem o que se não tens nada?
O que deve fazer alguém que não sabe o que fazer de sí?
Você não tem a capacidade de um enigma, em caminho inverso é espantado pela força lúdica de seus ódios e amores.
Eu rio, rio porque é um acréscimo. E então adoro.
Na sua rarefeita profundidade eu vi a poeira que tornara-se um meio de transporte.Nos intervalos de vazios e tranqüilos o impotente faz da liberdade um segredo: degredado de um futuro que o redima - momentos escamotear - próximo do inanimado.
Você é uma marionete nas mãos convenientes da tragédia moderna.
Virgem ainda, não pela inocência mas sim pela inexperiência e pelo conservadorismo numa juventude quebrantável, coito infeliz, analfabetismo do antecipado fracasso.
Inútil.
Percorri limites, meu finito esquivo.Força na delicadeza e delicadeza na força. Pompas,cismação,atolado de mel,geografia tensa de minhas vísceras.
Pausa, olhar-se.
Eu te tocava assombrado de mim.
Sonetos luxuriosos.
Desejos suicidas no umbigo,no ânus,nos ouvidos,nos joelhos, por que?
ele ejaculou pobreza e cansaço, o outro se apossou de significante, tétrico soluço.
Cósmicas fornicações, comeu o prefixo, do bolo o melhor pedaço ele não quis; não por dolente mas em sua constância - mormaço preferiu a inanição (por culpa do ode, em função da Rebouças, tateando inconstâncias, qual personalidade? frequente - fugidio).
Você finge perseguir a mim mas voluntariamente prende-se ao que me foi criado por ti, o espelho não está posto na minha direção, porque eu não sou o meu nome e você é ninguém, promessas de um potencial condicionado a isenção de taxas.
Minha verdade pode ser aquela quando sugava teu pênis,
mas a verdade não é nossa,
provar pode transformar-se numa sede cada vez mais insaciável.
Cago tua inexperiência;
privilégio de maduros, aprende-se no limite, começa tarde.
Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.

segunda-feira, 2 de março de 2009

De quando eu desviei o olhar.

Como uma cicatriz
distante, enervada.
De um peso feito âncora.
Alma sombria e destino delgado.
Norte e sul.
Matriz.
Maternidade.
Pele e gestos.
Como se fosse uma desgraça física.
No olhar,
a vergonha toda costurada.
E tua casa invadida.

A verdade é um coágulo,
um rascunho de tristeza.
Formas.
De uma matemática suspensa.
Nos dicionários e jornais jazia.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Saudades do futuro.

Todos eles ainda movidos pelo cansaço.

Saliva de nojo imantada de ansiedade.
Agressão.

Um olhar mais próximo da vida de todo dia.

E folhas e folhas
e ainda pular corda.

Regressão.

Pele de palavras
veias em silêncio
e tua casa invadida.

Contar é um coágulo.
Um rascunho de tristeza.

Tenho unhas manchadas de desprezo.